quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Pesquisa traça perfil da população da cidade de São Paulo
domingo, 17 de janeiro de 2010
São Paulo recebe a Cow Parade 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Os cardeais do samba

Por Leandro Calixto
Seu Nenê e Seu Carlão são remanescentes da primeira leva de grandes sambistas do Carnaval de São Paulo – Foto: Ernesto Rodrigues/AE
ano de 1968 é considerado um marco para Carnaval de São Paulo. Foi no final desta década, quando o Brasil vivia o auge da Ditadura Militar, que as Escolas de Samba de São Paulo começaram a ganhar um tratamento profissional.
Os desfiles, que até então eram realizados sem uma grande infra-estrutura, tiveram a Avenida São João como palco. Tanto o campeonato de Cordões como o das Escolas de Samba ganharam arquibancadas, regulamento e finalmente foram oficializados pela Prefeitura.
Seis sambistas são considerados os grandes responsáveis por essa transformação: Xangô da Vila Maria, Pé Rachado do Vai- Vai, Madrinha Eunice da Lavapés, Inocêncio Mulata da Camisa Verde e Branco , Nenê da Vila Matilde e Carlão do Peruche. Cansados de promover para os padrões da época grandes espetáculos, mas sem grandes receitas, os seis sambistas resolveram peitar o poder público. Só sossegaram quando finalmente conseguiram marcar uma audiência com o prefeito da época, o carioca Faria Lima.
Nascido em Vila Isabel, terra do poeta Noel Rosa, o político, que reza a lenda tinha samba na veia, teria ficado sensibilizado com a precária situação que eram realizados os desfiles e resolveu dar um empurrão e ajudar financeiramente o Carnaval de São Paulo.
Deste seleto grupo de bambas, chamados pela Imprensa da época como os Cardeais do Samba, apenas dois continuam vivos: Seu Nenê, de 88 anos, e Seu Carlão do Peruche, com 79.
Na tarde da última quarta-feira, na residência de Seu Nenê, em uma bucólica rua da zona leste, o Jornal da Tarde reuniu os dois sambistas para um bate-papo. O encontro, que será publicado no JT na edição deste sábado, dia 16, foi marcado por grande emoção. Os mestres admitiram sentir saudades dos tempos em que o Carnaval da cidade ainda era realizado de uma forma despretensiosa.
“Antigamente, as pessoas desfilavam para se divertir e acima de tudo defender a sua comunidade. Hoje não. O Carnaval se transformou num grande campeonato. Falta a irreverência de antigamente e o amor pelo pavilhão (bandeira) da escola”, definiu seu Carlão. Já seu Nenê, prefere esquecer que a agremiação que ajudou a fundar e que ainda carrega o seu nome vai disputar neste ano o Grupo de Acesso, a chamada Segunda Divisão do Carnaval de São Paulo. “Prefiro me lembrar das grandes conquistas. O golpe do ano passado foi muito duro e difícil de ser digerido. Mas vamos tentar subir novamente”, avisa.
O sábio seu Nenê tem razão. É hora de olhar para frente.
O samba só é samba por exisitir personagens imortais como ele e seu Carlão
Jornal O Estado de S. Paulo de 14 de janeiro de 2010 (Há 168 dias sob censura)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Outros carnavais na Paulicéia

Por Pablo Pereira
Carnaval, carros alegóricos, fantasias e desfiles são coisa de mais de século em São Paulo. A inspiração, no Séc. 19, vinha da Europa, dos carnavais de Veneza. Os primeiros desfiles de carnaval na rua, o corso, ocorreram na cidade no percurso das ruas Direita, 15 de Novembro e São Bento. Depois, como lembra a historiadora Marcia Camargos no livro Villa Kyrial, crônica da Belle Époque Paulistana, o corso se transferiu para a Avenida Paulista.
O grande momento do carnaval, na virada dos Séculos 19 para o 20, era a tarde do domingo, quando pela recém-inaugurada Paulista desfilavam os carros enfeitados “percorrendo o trecho que ia da Praça Osvaldo Cruz ao final da avenida”. Desfilavam cadillacs conversíveis e o povo se aglomerava nas calçadas para se divertir. Os menos abastados alugavam caminhões e desfilavam sobre as carrocerias adornadas por fitas e flores.
Carro alegórico da Villa Kyrial desfila na Av. Paulista em 1915
Um dos carros que deu muito o que falar num desses carnavais foi o da Villa Kyrial, como era conhecida a casa do senador José de Freitas Valle, retratado no livro de Marcia Camargos.
“O florista Nemitz pôs em prática antiga ideia de Valle. Construiu sobre um caminhão uma cesta enfeitada, dentro da qual se colocaram cerca de trinta pessoas, entre artistas e amigos do senador, vestidos de pierrô branco com botões vermelhos. Esse carro causou furor no corso, precedido pelo automóvel do ‘chefe’ Freitas Valle”.
José de Freitas Valle foi personagem polêmico da cidade. Rico, político influente, gostava de artes e financiava artistas. A casa dele, na Avenida Domingos de Morais, foi, por muito tempo, palco de saraus e de encontros de artistas. Era frequentada por gente como Victor Brecheret, Guilherme de Almeida, Mario de Andrade e Anita Malfatti.
Mas Freitas Valle foi também, como recorda Marcia Camargos, muito criticado por Monteiro Lobato e outros que o achavam um imitador da França “que flanava pelo Trianon entre flores exóticas, ensacado à francesa”, além de ser considerado um adepto de práticas políticas mais preocupadas com a autopromoção.
Freitas Valle, o mecenas carnavalesco, criador da Villa Kyrial, morreu em 14 de fevereiro de 1958. Durante o carnaval. O casarão Villa Kyrial, na Vila Mariana, durou pouco. Foi demolido em 1961.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/blog-da-garoa/657/
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
A redação de "O Estado de S. Paulo" em 1935
http://tv.estadao.com.br/videos,A-REDACAO-DE-O-ESTADO-DE-S-PAULO-EM-1935,83238,258,0.htm
O Estado de S. Paulo: Um grande jornal (1941)
http://tv.estadao.com.br/videos,O-ESTADO-DE-S-PAULO-UM-GRANDE-JORNAL-1941,83351,258,0.htm
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Imigrantes dão cara a regiões em que se estabeleceram em SP
Imigrantes dão cara a regiões em que se estabeleceram em SP
EVELYN CARVALHO
colaboração para a Folha
São Paulo tornou-se a casa de alguns grupos de imigrantes. Um dos mais importantes deles é o de italianos, que chegou à cidade no final do século 19 e demarcou seu território na Mooca (zona leste).
No passado, o estabelecimento dos habitantes na região ocorreu por conta da proximidade com as fábricas do Brás, onde trabalhavam. Hoje a Mooca atrai quem gosta de um local tranquilo, sem perder a comodidade de morar relativamente perto do centro e de ter à mão um amplo leque de serviços.
Ruth Cardamone, 74, é funcionária pública aposentada e faz parte de uma família de descendentes de italianos que está há cinco gerações no bairro. Ela herdou do pai um amplo apartamento em um antigo prédio de dois andares. "Quem sai da Mooca acaba voltando, porque não se acostuma a outro lugar."
Segundo a pesquisa DNA Paulistano, realizada pelo Datafolha em 2008, a fidelidade é de fato uma característica dos moradores do distrito da Mooca --52% deles acreditam que seu bairro é melhor que os demais da cidade.
Apesar de manter um ar conservador, a região dá sinais de que passará pelo mesmo crescimento vertical do Tatuapé e do bairro Anália Franco.
O preço médio dos lançamentos na Mooca em 2008 e 2009 (R$ 3.670) superou o do Tatuapé (R$ 3.034), segundo dados da Geoimovel.
Já quem mora na Liberdade, região central de São Paulo, defende que o bairro é muito mais do que a feira típica japonesa e as lanternas vermelhas da rua Galvão Bueno. Sua fronteira chega até as proximidades da Aclimação e do Cambuci.
Área íntima
Nessa ampla área vivem não apenas japoneses e descendentes mas também coreanos e chineses. "Os orientais gostam de imóveis espaçosos e valorizam a segurança", afirma Aldo Ferreira de Assis, proprietário da imobiliária Afassis.
O corretor também revela que a discrição é mais um ponto marcante das três culturas. "Elas dão preferência à área íntima e não gostam de se expor."
Descendente de japoneses, Sergio Sado Hattano, 40, possui um pequeno comércio na região e há sete anos mudou-se do Ipiranga (zona sul) para um imóvel de dois dormitórios próximo ao seu estabelecimento. "Agora estou mais perto do trabalho e não perco tanto tempo no trânsito", justifica.
De 2006 a agosto de 2009, houve 11 lançamentos imobiliários no distrito da Liberdade, segundo a Geoimovel. O preço médio do metro quadrado em 2008 e 2009 foi de R$ 4.881.
Colônia judaica
A expressiva colônia judaica que habita Higienópolis desde meados do século passado fez desse bairro da região central paulistana um local repleto de referências a sua cultura.
Os imóveis são, em sua maioria, de alto padrão. Helio Mizrahi, proprietário da HM Imóveis, afirma que as famílias predominam: "70% dos apartamentos são de três ou de quatro dormitórios", caracteriza.
Quando ortodoxos, os judeus instalam duas pias na cozinha --uma para laticínios e outra para carne, como preconiza a culinária "kosher".
Entre os preceitos do "shabat", não é permitido acionar o elevador durante o período semanal de descanso, que vai do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado. Por isso, muitos judeus preferem apartamentos em andares baixos.
Há edifícios em Higienópolis que solucionaram essa questão de maneira mais tecnológica. Durante o "shabat", o elevador é programado para parar em todos os andares; ao usuário cabe apenas esperá-lo chegar ao seu pavimento.
A Folha de S; Paulo de 3 de janeiro de 2010